Lana passava todas aquelas tardes de verão se colocando naquelas páginas multicoloridas dos livros que tanto detestara um dia, e, hora ou outra, em meio a uma bela citação em francês, percebia o quão irônico o destino era – como se não pudesse guiá-lo a lugar algum, estando apenas à deriva de seus pensamentos totalmente perdidos. Irritava-se constantemente com a mania fútil daquelas pessoas que lhe mandavam todo aquele amontoado de mensagens supostamente sábias, mas que ninguém de fato jamais seguiria. Em tempos modernos, não se sabe quem é quem ou o que é o quê – e, convenhamos, já se soube algum dia? Ah, sim, Lana deveria falar de amor hoje – para ela, o assunto mais complexo e, ao mesmo tempo, mais clichê (embora não tivesse a mínima idéia do que a tão repetida palavra “amor” significasse, comparando-o a alguma coisa ou monstro que jamais pudesse ser seguido). Tinha sérios receios sobre o assunto, afinal, sempre acreditou no não acreditável, guardado em seu muro de sucessão de derrotas. Lana era jovem, não muito atraente, mas dotada de uma energia única e intransmutável que se refletia em seus olhos amarelados pelo dom incomunicável de seu espírito. Não sabia muito sobre a vida também, queria apenas vivê-la. Até então, tudo parecia estar envolto em uma espécie de mistério, que aos poucos iria se revelar. O mundo de Lana era como um incêndio com braços e braços confusos, procurando alguma maneira de libertar-se e sentir, vez ou outra, a sensação de completude. O eco de seus demônios era expelido pela fumaça do cigarro e seus olhos pertenciam ao nada absoluto, envolvendo-a em uma espécie de transe, enquanto o blues acariciava seus cabelos em forma sopros quase divinos. Lana, finalmente, viu-se em suas palavras: amar é não pertencer a ninguém além de si mesma. Isso até que a próxima definição a mudasse completamente.
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Nota da autora: sim, sei que estou meio enferrujada nas escritas. Ok, sei que estou completamente por fora dos dons do verbo. Mas isso importa?
Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Análises da não-análise: os primeiros passos em direção à Lana
Culpa da
Calu
às
20:27
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3 comentários:
Interessante como um livro e viciante como um saquinho de pipocas, escreva mais, existem milhares de seres perdidos querendo ler historias de quem se perdeu, ou ainda nao se achou.
supremo.
adorei.
adorei ler escritos teus novamente.
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