Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Análises da não-análise: os primeiros passos em direção à Lana

Lana passava todas aquelas tardes de verão se colocando naquelas páginas multicoloridas dos livros que tanto detestara um dia, e, hora ou outra, em meio a uma bela citação em francês, percebia o quão irônico o destino era – como se não pudesse guiá-lo a lugar algum, estando apenas à deriva de seus pensamentos totalmente perdidos. Irritava-se constantemente com a mania fútil daquelas pessoas que lhe mandavam todo aquele amontoado de mensagens supostamente sábias, mas que ninguém de fato jamais seguiria. Em tempos modernos, não se sabe quem é quem ou o que é o quê – e, convenhamos, já se soube algum dia? Ah, sim, Lana deveria falar de amor hoje – para ela, o assunto mais complexo e, ao mesmo tempo, mais clichê (embora não tivesse a mínima idéia do que a tão repetida palavra “amor” significasse, comparando-o a alguma coisa ou monstro que jamais pudesse ser seguido). Tinha sérios receios sobre o assunto, afinal, sempre acreditou no não acreditável, guardado em seu muro de sucessão de derrotas. Lana era jovem, não muito atraente, mas dotada de uma energia única e intransmutável que se refletia em seus olhos amarelados pelo dom incomunicável de seu espírito. Não sabia muito sobre a vida também, queria apenas vivê-la. Até então, tudo parecia estar envolto em uma espécie de mistério, que aos poucos iria se revelar. O mundo de Lana era como um incêndio com braços e braços confusos, procurando alguma maneira de libertar-se e sentir, vez ou outra, a sensação de completude. O eco de seus demônios era expelido pela fumaça do cigarro e seus olhos pertenciam ao nada absoluto, envolvendo-a em uma espécie de transe, enquanto o blues acariciava seus cabelos em forma sopros quase divinos. Lana, finalmente, viu-se em suas palavras: amar é não pertencer a ninguém além de si mesma. Isso até que a próxima definição a mudasse completamente.

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Nota da autora: sim, sei que estou meio enferrujada nas escritas. Ok, sei que estou completamente por fora dos dons do verbo. Mas isso importa?

3 comentários:

Luigi disse...

Interessante como um livro e viciante como um saquinho de pipocas, escreva mais, existem milhares de seres perdidos querendo ler historias de quem se perdeu, ou ainda nao se achou.

Bianca disse...

supremo.

Í.ta** disse...

adorei.

adorei ler escritos teus novamente.